No Almoço
Eu estava lá, sentado, esperando alguma coisa acontecer. Havia duas horas que eu estava lá sentado esperando algo acontecer e o Joca me ligou.
- Alô.
- Ó Tristan!! Salve salve ser humano!! Como vai? Vamos beber hoje?
- Não.
- Como não? Aposto minhas calças que você estava aí, sentado no seu sofazinho florido olhando pra porta esperando algo acontecer.
- Eu devo ser muito previsível então.
- Claro que é, só foi imprevisível ao negar meu convite... ou não...você sempre nega primeiro e depois muda de idéia. Combinado então!! No Milk’s ás sete e alguma coisa.
- Você não quer almoçar comigo?
- Tristan, você é o cara mais carente no almoço que eu já vi...
O Joca desligou o telefone sem nem saber se eu havia concordado ou não, o que era típico dele posto que no fim das contas eu sempre ia e também não aceitou meu convite pra almoçar. É simplesmente horrível almoçar sozinho. Posso ficar só o dia todo...mas no almoço, é muito cruel.
Eu fui tomar um banho, tirar o cheiro de cerveja da minha cara pra poder renová-lo. Optei por não almoçar... sozinho não. Fui no “Hong”. O Hong, que era um coreano simpático, dono do “Hong”, que era um restaurante não tão simpático assim mas tudo bem, disse que tava tudo bem, nem muito cheio, nem muito vazio.
- Pão com ovo Tristan?
- Não...hoje não, tava pensando em arroz com feijão mesmo
- Oi Tristan!
- Quem é a senhorita?
- Quer mesmo saber?
- Não sei.
-Posso me sentar?
Ela era loura, magra, muito magra, e se vestia com muito mau gosto, roupas estranhas da moda, coisas coloridas, mal combinadas e assimétricas. Minha mãe com seus cinqüenta e pedrada usando camiseta branca e jeans era mais elegante que aquilo ali. O que me deixa espantado é o mau gosto de algumas mulheres e da maioria dos estilistas. Os cabelos eram bem cuidados, a pele e tudo mais, não parecia nenhuma das loucas com quem eu tinha me metido até então. Muito bem cuidadinha ela.
- Você faz muita questão?
- Você não faria?
- Tudo bem, você também gosta de usar perguntas como respostas... apesar de loura aprende rápido...
- Posso aprender outras coisas...
- Quem foi que mandou você aqui? Olha, eu sinto muito mas não posso te pagar minha filha... eu só tenho pro meu almoço hoje mas se o serviço for de graça eu topo.
- Eu não sou prostituta...
- Então é de graça?
- Eu não vim aqui pra isso.
Eu estava verdadeiramente intrigado, quem era a moça, porque uma moça tão daquele jeito viria falar comigo, logo comigo, eu fico indisposto no almoço. A mulherzinha ficou ali, um palitinho na cadeira. Deu pena até. “Ora Tristan!!! Pena dessas loucas!!! Nunca!!! Só te fodem a vida essas loucas”.
Deu vontade de dar comida pra ela...mas não acho que ela sentisse falta... podia vomitar tudo no meu pé. Eu estava sendo preconceituoso. Era essa a verdade. Mas é estranho uma senhorita tão bem cuidada aparecer na minha mesa. Odeio pessoas que me abordam do nada, e pior... citam meu nome. Comer sozinho é horrível, mas é pior quando a companhia é desconhecida.
O Hong trouxe meu prato. Um belo P.F., aquela porção de arroz com feijão fumegante, um grande e suculento bife, e douradas batatas fritas, o P.F. do Hong era disparado o melhor do velho centro. Ela olhou pras batatas e foi com aquela mão cheia de unhas feitas e pintadas com florzinhas desenhadas na minhas batata frita e dourada.
Isso é morte. Não se põe a mão nas batatas fritas de ninguém sem ordem. Visto que eu odeio que olhem pro meu prato por a mão nele é crime inafiançável dentro dos meus parâmetros de justiça. Ela pegou minha batata e pois naquela boca cheia de batom vermelho cereja.
- Merda!!! Você é uma loura louca! Você ousou por a mão no meu prato!! Nas minhas batatas!! Isso é o que eu chamo de insanidade! Nunca!!! Nunca se põe as mão no prato de um bom homem!!!!!
O Hong olhou pra ela com desaprovação.
- Calma guri! Credo, só uma batata. Pago outra se você quiser.
- Não! Essas foram douradas em minha homenagem, é o meu prato. Escute, não sei quem são seus país, nem quem é você, mas sei que você é limpinha e mal educada o suficiente pra importunar o almoço de um simples ser humano.
- Hei você, chinês...
- Ele é coreano PORRA!!!!
- Tanto faz, faça mais batatas pro nervosinho aqui.
- Não quero mais batatas! Você vai ficar gorda e bisonha de tanto comer aquelas batatas!! E tomara que as suas tetas caiam!!!
Sai dali, fui comprar uma cerveja ou encontrar o Joca pra tomar uma cerveja. Era urgente. Levantei .Ela veio atrás de mim dizendo coisas do tipo:
Eu preciso de votos pra ser a nova modelo do sei lá o que... eu não queria ouvir. Odeio modelos, mulheres sem um mínimo percentual de carne. Sacos de ossos sobre passarelas. Gostaria de saber, onde ficam as carnes e a inteligência dessas pessoas. Ela continuou atrás de mim dizendo que só faltava um voto pra não sei o que, que o seu Odislau mandou-a me procurar. Encontrei a Lílian, minha digníssima e rechonchuda cunhada.
- Li!!!! Socorro, tem um protótipo de Paris Hilton, estranha e atroz atrás de mim. Ela quer ser sei lá o que e eu não quero olhar pra ela!!!
- Calma Tristan!! Desde quando mulheres te assustam?
- Mulheres não me assustam, falando nisso como anda sua vizinha masoquista?
- Ora rapaz!!!
- Mulheres não me assustam, sacos de ossos com silicones sobresalientes, uma potencial ganância por aparência e ladras de batatas sim!!!
-Tudo bem. Pois não moça?
- Olha, eu preciso do voto de mais um homem pra poder ser capa do calendário da oficina ao lado, será que seu filho pode me ajudar?
A Lílian era uma pessoa maravilhosa... mas a coisinha ter me confundido como filho da Li foi maldade. Aí o pau quebrou bonito. Achei que a Li ia partir a coisinha no meio mas o seu Odislau, dono da oficina segurou, por mim poderia ter quebrado até em quatro. Eu saí fininho e fui encontrar meu fiel escudeiro no Milk’s, tinha em mãos alguns contos estranhos com os quais só o Joca poderia se meter.
- Eu sabia Tristan, o Previsível!!!
- Claro que você sabia, ó peculiar amigo.
- E então, aconteceu algo de novo nesse meio tempo?
- Uma mulher muito estranha pegou as batatas do meu prato.
- As pessoas de hoje não tem educação! Nunca se pega batatas sem ordem!!
- Nunca.
Eu estava lá, sentado, esperando alguma coisa acontecer. Havia duas horas que eu estava lá sentado esperando algo acontecer e o Joca me ligou.
- Alô.
- Ó Tristan!! Salve salve ser humano!! Como vai? Vamos beber hoje?
- Não.
- Como não? Aposto minhas calças que você estava aí, sentado no seu sofazinho florido olhando pra porta esperando algo acontecer.
- Eu devo ser muito previsível então.
- Claro que é, só foi imprevisível ao negar meu convite... ou não...você sempre nega primeiro e depois muda de idéia. Combinado então!! No Milk’s ás sete e alguma coisa.
- Você não quer almoçar comigo?
- Tristan, você é o cara mais carente no almoço que eu já vi...
O Joca desligou o telefone sem nem saber se eu havia concordado ou não, o que era típico dele posto que no fim das contas eu sempre ia e também não aceitou meu convite pra almoçar. É simplesmente horrível almoçar sozinho. Posso ficar só o dia todo...mas no almoço, é muito cruel.
Eu fui tomar um banho, tirar o cheiro de cerveja da minha cara pra poder renová-lo. Optei por não almoçar... sozinho não. Fui no “Hong”. O Hong, que era um coreano simpático, dono do “Hong”, que era um restaurante não tão simpático assim mas tudo bem, disse que tava tudo bem, nem muito cheio, nem muito vazio.
- Pão com ovo Tristan?
- Não...hoje não, tava pensando em arroz com feijão mesmo
- Oi Tristan!
- Quem é a senhorita?
- Quer mesmo saber?
- Não sei.
-Posso me sentar?
Ela era loura, magra, muito magra, e se vestia com muito mau gosto, roupas estranhas da moda, coisas coloridas, mal combinadas e assimétricas. Minha mãe com seus cinqüenta e pedrada usando camiseta branca e jeans era mais elegante que aquilo ali. O que me deixa espantado é o mau gosto de algumas mulheres e da maioria dos estilistas. Os cabelos eram bem cuidados, a pele e tudo mais, não parecia nenhuma das loucas com quem eu tinha me metido até então. Muito bem cuidadinha ela.
- Você faz muita questão?
- Você não faria?
- Tudo bem, você também gosta de usar perguntas como respostas... apesar de loura aprende rápido...
- Posso aprender outras coisas...
- Quem foi que mandou você aqui? Olha, eu sinto muito mas não posso te pagar minha filha... eu só tenho pro meu almoço hoje mas se o serviço for de graça eu topo.
- Eu não sou prostituta...
- Então é de graça?
- Eu não vim aqui pra isso.
Eu estava verdadeiramente intrigado, quem era a moça, porque uma moça tão daquele jeito viria falar comigo, logo comigo, eu fico indisposto no almoço. A mulherzinha ficou ali, um palitinho na cadeira. Deu pena até. “Ora Tristan!!! Pena dessas loucas!!! Nunca!!! Só te fodem a vida essas loucas”.
Deu vontade de dar comida pra ela...mas não acho que ela sentisse falta... podia vomitar tudo no meu pé. Eu estava sendo preconceituoso. Era essa a verdade. Mas é estranho uma senhorita tão bem cuidada aparecer na minha mesa. Odeio pessoas que me abordam do nada, e pior... citam meu nome. Comer sozinho é horrível, mas é pior quando a companhia é desconhecida.
O Hong trouxe meu prato. Um belo P.F., aquela porção de arroz com feijão fumegante, um grande e suculento bife, e douradas batatas fritas, o P.F. do Hong era disparado o melhor do velho centro. Ela olhou pras batatas e foi com aquela mão cheia de unhas feitas e pintadas com florzinhas desenhadas na minhas batata frita e dourada.
Isso é morte. Não se põe a mão nas batatas fritas de ninguém sem ordem. Visto que eu odeio que olhem pro meu prato por a mão nele é crime inafiançável dentro dos meus parâmetros de justiça. Ela pegou minha batata e pois naquela boca cheia de batom vermelho cereja.
- Merda!!! Você é uma loura louca! Você ousou por a mão no meu prato!! Nas minhas batatas!! Isso é o que eu chamo de insanidade! Nunca!!! Nunca se põe as mão no prato de um bom homem!!!!!
O Hong olhou pra ela com desaprovação.
- Calma guri! Credo, só uma batata. Pago outra se você quiser.
- Não! Essas foram douradas em minha homenagem, é o meu prato. Escute, não sei quem são seus país, nem quem é você, mas sei que você é limpinha e mal educada o suficiente pra importunar o almoço de um simples ser humano.
- Hei você, chinês...
- Ele é coreano PORRA!!!!
- Tanto faz, faça mais batatas pro nervosinho aqui.
- Não quero mais batatas! Você vai ficar gorda e bisonha de tanto comer aquelas batatas!! E tomara que as suas tetas caiam!!!
Sai dali, fui comprar uma cerveja ou encontrar o Joca pra tomar uma cerveja. Era urgente. Levantei .Ela veio atrás de mim dizendo coisas do tipo:
Eu preciso de votos pra ser a nova modelo do sei lá o que... eu não queria ouvir. Odeio modelos, mulheres sem um mínimo percentual de carne. Sacos de ossos sobre passarelas. Gostaria de saber, onde ficam as carnes e a inteligência dessas pessoas. Ela continuou atrás de mim dizendo que só faltava um voto pra não sei o que, que o seu Odislau mandou-a me procurar. Encontrei a Lílian, minha digníssima e rechonchuda cunhada.
- Li!!!! Socorro, tem um protótipo de Paris Hilton, estranha e atroz atrás de mim. Ela quer ser sei lá o que e eu não quero olhar pra ela!!!
- Calma Tristan!! Desde quando mulheres te assustam?
- Mulheres não me assustam, falando nisso como anda sua vizinha masoquista?
- Ora rapaz!!!
- Mulheres não me assustam, sacos de ossos com silicones sobresalientes, uma potencial ganância por aparência e ladras de batatas sim!!!
-Tudo bem. Pois não moça?
- Olha, eu preciso do voto de mais um homem pra poder ser capa do calendário da oficina ao lado, será que seu filho pode me ajudar?
A Lílian era uma pessoa maravilhosa... mas a coisinha ter me confundido como filho da Li foi maldade. Aí o pau quebrou bonito. Achei que a Li ia partir a coisinha no meio mas o seu Odislau, dono da oficina segurou, por mim poderia ter quebrado até em quatro. Eu saí fininho e fui encontrar meu fiel escudeiro no Milk’s, tinha em mãos alguns contos estranhos com os quais só o Joca poderia se meter.
- Eu sabia Tristan, o Previsível!!!
- Claro que você sabia, ó peculiar amigo.
- E então, aconteceu algo de novo nesse meio tempo?
- Uma mulher muito estranha pegou as batatas do meu prato.
- As pessoas de hoje não tem educação! Nunca se pega batatas sem ordem!!
- Nunca.

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