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Ô Diva! Assim você me mata!



“Eu não posso ficar olhando, não posso ficar olhando...” Mas aquelas coxas, aquelas curvas, tudo aquilo se movendo languidamente bem em cima de mim... Como diabos eu não vou olhar!!! “Tristan, não ouça o canto da sereia Tristan!!! “Hum... ahm... ah, ah...
- Vem Sereia!!!
- Abre o olho Tristan...hahahahahhaha
- Não posso.
- Porque?!
- Não, não, não Diva, não sai daí não. Juro que não é pessoal.
Abri os olhos, claro que eu abriria os olhos! E claro que eu ouviria o canto da sereia.
- Geme no meu ouvido, vai Diva.
Sobre a Diva? Ora! A Diva era minha bonequinha de luxo. Na verdade a Diva era uma prostituta de luxo. O que muitos homens pagavam, e caro, pra ter eu tinha de graça. Além de tudo isso, quando eu ficava na merda a Diva sempre me trazia umas palavras cruzadas, cerveja e café. Ás vezes carne.
- Porque você ficou um tempão com os olhos fechados?
- É o seguinte Diva, quando a gente fica olhando muito, a cabeça guarda. O que a cabeça guarda ela lembra, e a lembrança de uma cabeça pode acordar outra.
- Você é complicado, mas eu entendi.
Começam as imagens na cabeça e quando você vê, está bêbado, de novo, atrás delas, qualquer uma delas, mas a Diva, caralho... eu não podia nem falar o nome da Diva. Quando eu falava “Diva”, olhos, boca, pescoço, orelhas, veias pulsando, seios, barriga, seios, barriga, barriga, virilha, pornografias à parte, coxas, coxas, coxas... e a bunda?! Eu sou louco por muitas delas, mas a Diva deixava qualquer um babando.
- Você nunca me falou do seu trabalho. Você deve ganhar bem.
- Eu não gosto de falar disso Tristan. Com você então...
- Porque? Eu sou um cara tão liberal.
- Não é isso.
- É o que então?
- O que você quer saber?
- Sei lá... quanto você ganha dando uma?
- Que linguajar!
- Ta bom. Quanto você recebe, em média, por um programa?
- Agora sim parece o jornalista medíocre que eu conheço.
- Ta, quanto?
- Bem.
- Um jornalista medíocre e uma resposta medíocre.
- Eu já disse que não vou falar sobre isso com você.
- Porque você dá pra mim então?
- Que sórdido que você é!
- Fui eu que te ensinei essa palavra! Como você ousa usá-la contra mim!
- Eu vou embora!
- Claro que vai! Mas daqui a pouco. Tenho mais perguntas. Você vai responder? Pô Diva?! Eu queria saber mais da sua vida entende? Porque puta de luxo? Você é linda! Pode tudo! E a faculdade? Modelo talvez? Um marido rico?
- Porque não vários maridos ricos? Vamos fazer assim, te respondo o que você quiser, mas você tem que me prometer que vai ficar o tempo todo com os olhos abertos, ta?
- Ô Diva! Assim você me mata!

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- Então é isso? - Como assim? - Assim ora! Você simplesmente vai embora? - É. Vou. - Não vai nem me fazer nenhuma promessa? De que volta, ou que eu sou o que você sempre sonhou e tal? - Não. Veja, eu preciso ir, não é nada pessoal, mas tenho muito o que resolver. - Do quê? - O quê? - Tem que resolver? - O de sempre, trabalho, casa, filhos, enfim, o de sempre. - Hum... Entendo - Não entende não, e nem se esforce. Até. Ela partiu sem fazer nenhuma promessa.

Nota do Homem Ensopado e Rachado ao Meio

Aquela semana choveu, choveu tudo e mais um pouquinho. Ela chovia também, um pouco. Mas a chuva ainda era mais bela. - Quer carona no meu guarda chuva? - Não obrigada, eu trouxe o meu. - Hum, tá. Posso te acompanhar? - Como queira Tristan. - Queria andar de braços enganchados com você. Como as pessoas de antigamente. Acreditei, naquele exato momento, que ela acharia deveras singelo o meu convite comentário. Apesar da chuva torrencial nos ensopando, mesmo estando de guarda chuva, eu estava achando bonito. Eu que de tão tristonho quase nunca acho nada mais bonito que a própria tristeza, estava achando a chuva de uma singeleza incomparável. - Tristan, eu não tenho tempo nem coração pra morrer de amor e ficar me molhando com um estúpido na chuva. Voltei pra casa rachado ao meio, sem nem cacos pra juntar. Ora essa, como assim não tem coração?! E quem falou de morrer de amor?! Nunca mais tento ser amável com essas mulheres modernamente mal educadas.
Naquela noite Tristan, o triste, estava boquiaberto. Seu semblante sério, e dolorido... Senhor Deus dos desgraçados! Doía ver aquela aquele rosto triste!  - O que te abate belo Tristan? - Não sei o que dizer...  Entendi que era não só sério, porém de alta gravidade. Aquele sujeito, que tanto fala, e tanta coisa (a maioria sem sentido para os comuns), calava-se agora numa tristeza incomum, até para ele. - O que houve? - É terrível... - Caceta homem! Achei que não defecaria pela boca tão cedo novamente! Não fui assertiva no comentário... Eu era um cavalo, sem tato, sem jeito... Às vezes (raras vezes) me vinha à mente a palavra certa, mas quando as dizia sentia que essa tal história de palavras certas é sempre relativa. A tristeza incomum dele tornou-se algo maior, mais dolorido frente a minha chacota, e o que antes considerei grave, como é grave para uma criança perder numa brincadeira tola... Era de fato o que parecia, uma grave e profunda dor. - Desculpe Tristan... Eu....